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Planilhas Engenharia

Cálculo da perda de carga em tubulações hidráulicas

Neste post você irá aprender o que é a perda de carga, os tipos de perda de carga e as fórmulas disponíveis para estimá-la. Além disso, será apresentado um exemplo numérico para você fixar o que foi ensinado

O que é a perda de carga?

A perda de carga corresponde à energia dissipada por um fluido durante o seu movimento por uma tubulação

Ela ocorre devido ao atrito com as paredes internas da tubulação, atrito interno entre as próprias partículas do fluido (efeito da viscosidade) e também devido ao encontro com obstáculos como válvulas e conexões

Essa perda de energia se manifesta como uma redução na pressão do fluido ao longo da tubulação

Tipos de perda de carga

Dependendo de onde a perda de carga ocorre, ela pode ser classificada em duas categorias: a perda de carga distribuída e a perda de carga localizada

Perda de carga distribuída

A perda de carga distribuída corresponde a queda de pressão que ocorre ao longo do comprimento reto de tubulação, provocada pelo atrito entre o fluido e as paredes internas do tubo

Tubulação com perda de carga distribuída

Perda de carga localizada

A perda de carga localizada corresponde a queda de pressão que ocorre em pontos específicos da tubulação, devido à presença de elementos que causam turbulência ou mudanças no escoamento, como válvulas e conexões

Tubulação com perda de carga localizada

Cálculo da perda de carga distribuída

Algumas das fórmulas que permitem calcular a perda de carga distribuída são: fórmula universal da perda de carga (equação de Darcy-Weisbach), fórmula de Hazen-Williams e fórmula de Fair-Whipple-Hsiao (Anexo A da NBR 5626 de 1998)

Fórmula Universal

A equação de Darcy-Weisbach, também conhecida como fórmula universal, permite determinar a perda de carga distribuída em uma tubulação por meio da expressão abaixo:

\[ h_f=f\frac{L}{D}\frac{V^2}{2g} \]

Em que:

  • hf = Perda de carga distribuída (m);
  • f = Fator de atrito (adimensional);
  • L = Comprimento da tubulação (m)
  • V = Velocidade média do escoamento (m/s);
  • D = Diâmetro interno da tubulação (m);
  • g = Aceleração da gravidade (m/s²)

A determinação da perda de carga pela equação de Darcy-Weisbach depende, portanto, do fator de atrito

Para obter o fator de atrito precisamos calcular o número de Reynolds e verificar se o escoamento é laminar, transitório ou turbulento

O número de Reynolds é determinado por:

\[ Re=\frac{\rho VD}{\mu} \]

Em que:

  • Re = Número de Reynolds (adimensional);
  • ρ = Massa específica do fluido (kg/m³);
  • V = Velocidade média do escoamento (m/s);
  • D = Diâmetro interno da tubulação (m);
  • μ = Viscosidade dinâmica do fluido (Pa.s)

Se o número de Reynolds for menor que 2300, o escoamento é laminar; se for maior ou igual a 2300 e menor ou igual a 4000, o escoamento é transitório; se for maior que 4000 é turbulento

  • Laminar: Re < 2300
  • Transitório: 2300 ≤ Re ≤ 4000
  • Turbulento: Re > 4000

Para o escoamento laminar, o fator de atrito pode ser obtido com a fórmula abaixo:

\[ f = \frac{64}{Re} \]

Para o escoamento turbulento, o fator de atrito pode ser obtido com a equação de Colebrook-White:

\[ \frac{1}{\sqrt{f}}=-2\log\left(\frac{\varepsilon}{3,7D}+\frac{2,51}{Re\sqrt{f}}\right) \]

Em que “ε” representa a rugosidade absoluta da tubulação e “Re” representa o número de Reynolds

Observe que o fator de atrito “f” está presente dos dois lados da equação de Colebrook-White e não é possível isolá-lo. Portanto, ela é uma equação implícita deve ser resolvida através de um método interativo

A obtenção do fator de atrito “f” através da equação de Colebrook-White pode ser realizada utilizando a ferramenta “atingir metas” do Excel

OBS.: Para o regime de escoamento transitório não há uma equação única recomendada para obter o fator de atrito. Dessa forma, é comum adotar um tratamento conservador ou evitar dimensionar a instalação nesse regime de escoamento

Fórmula de Hazen-Williams

A fórmula de Hazen-Williams permite determinar a perda de carga distribuída em uma tubulação por meio da expressão abaixo:

\[ h_f = 10,643 \cdot \frac{L \cdot Q^{1,852}}{C^{1,852} \cdot D^{4,87}} \]

Em que:

  • hf = Perda de carga distribuída (m);
  • C = Coeficiente de rugosidade (m0,367/s);
  • L = Comprimento da tubulação (m);
  • D = Diâmetro interno da tubulação (m);
  • Q = Vazão (m³/s)

Essa fórmula é uma equação empírica bastante usada na hidráulica para calcular a perda de carga distribuída em tubulações sob pressão, sendo empregada por projetistas em redes de abastecimento de água, irrigação e sistemas de combate a incêndio (sprinklers)

Segundo Porto (2006, p. 53), a fórmula de Hazen-Williams está entre as fórmulas empíricas mais utilizadas, principalmente na prática da Engenharia Sanitária americana

Veja na tabela abaixo o valor do coeficiente de rugosidade ou coeficiente de Hazen-Williams para diferentes materiais:

Valor do coeficiente de Hazen-Williams para diferentes materiais

Fórmula de Fair-Whipple-Hsiao

A fórmula de Fair-Whipple-Hsiao é uma expressão empírica utilizada no cálculo da perda de carga unitária em tubulações de instalações hidráulicas prediais

Veja abaixo a fórmula de Fair-Whipple-Hsiao para tubos lisos:

\[ J = 8,69 \cdot 10^6 \cdot Q^{1,75} \cdot D^{-4,75} \]

Veja abaixo a fórmula de Fair-Whipple-Hsiao para tubos rugosos:

\[ J = 20,2 \cdot 10^6 \cdot Q^{1,88} \cdot D^{-4,88} \]

Em que:

  • J = Perda de carga unitária (kPa/m);
  • Q = Vazão (L/s);
  • D = Diâmetro interno da tubulação (mm);

Para obter a perda de carga distribuída total (hf), basta multiplicar a perda de carga distribuída unitária (J) pelo comprimento total de tubulação (L)

\[ h_f = J \cdot L \]

OBS.1: Para converter a unidade de kPa para mca (metros de coluna d´água), basta multiplicar o resultado por 0,10197

OBS.2: As fórmulas de Fair-Whipple-Hsiao apresentadas aqui estão no Anexo A da NBR 5626:1998

Clique aqui e leia o post no qual apresento um estudo comparativo entre a fórmula universal e a fórmula de Fair-Whipple-Hsiao

Cálculo da perda de carga localizada

A fórmula abaixo é conhecida como fórmula geral das perdas de carga localizadas:

\[ h_f = K \cdot \frac{V^2}{2g} \]

Em que:

  • hf = Perda de carga localizada (m);
  • K = Coeficiente de perda (adimensional);
  • V = Velocidade média do escoamento (m/s);
  • g = Aceleração da gravidade (m/s²)

Cada válvula e conexão possui seu respectivo coeficiente de perda de carga, que pode ser obtido em livros ou manuais técnicos de hidráulica

Alternativamente, a perda de carga localizada pode ser calculada utilizando o conceito de comprimento equivalente

Comprimento equivalente

O comprimento equivalente de uma válvula ou conexão corresponde ao comprimento de um trecho reto de tubulação que provoca a mesma perda de carga da respectiva válvula ou conexão

É possível encontrar em livros de hidráulica ou em catálogos de fabricantes valores tabelados para o comprimento equivalente

Para obter a perda de carga localizada em uma válvula ou conexão, basta obter seu comprimento equivalente e inserir em uma das fórmulas para cálculo de perda de carga distribuída que foi mostrada anteriormente

Tabela com o comprimento equivalente de válvulas e conexões

Acessar catálogos da Tigre

Para exemplificar, veja na tabela acima que o joelho de 90º com diâmetro de 25mm possui comprimento equivalente de 1,2 metros. Isso significa que a perda de carga localizada neste joelho é equivalente a perda de carga distribuída em um trecho reto de tubulação com 1,2 metros de comprimento

Exemplo Prático

Ex.: Calcule a perda de carga no trecho de tubulação mostrado na imagem abaixo. Para isso, considere que os tubos e conexões são feitas de PVC com diâmetro interno de 44mm e que a vazão no trecho de tubulação é de 1,70L/s. Calcule também a pressão disponível na extremidade final da tubulação, considerando que na extremidade inicial a pressão é de 0mca

Trecho de tubulação do exemplo prático de cálculo da perda de carga

RESOLUÇÃO:

Observe que o trecho possui 4 joelhos de 90º com 50mm de diâmetro

Consultando a tabela abaixo, obtemos que o comprimento equivalente de 1 joelho de 90º com 50mm de diâmetro é igual a 3,2 metros

Tabela com a indicação do comprimento equivalente de 1 joelho de 90 graus de 50mm

Dessa forma, o comprimento equivalente total é igual a 12,8 metros

Na imagem podemos observar que o comprimento de tubulação é de 6,0 metros

Portanto, somando esses dois valores, obtemos o comprimento total de 18,8 metros

Vamos utilizar a fórmula de Fair-Whipple-Hsiao para calcular a perda de carga unitária:

\[ J = 8,69 \cdot 10^6 \cdot Q^{1,75} \cdot D^{-4,75} \]
\[ J = 8,69 \cdot 10^6 \cdot 1,70^{1,75} \cdot 44^{-4,75} \]
\[ J = 0,3435 \ \text{kPa/m} \]

Multiplicando a perda de carga unitária pelo comprimento total, obtemos a perda de carga total:

\[ h_f = 0,3435 \cdot 18,8 \]
\[ h_f = 6,46 \ \text{kPa} \cong 0,65 \ \text{mca} \]

Dessa maneira, como a pressão no início do trecho é de 0mca e supondo que o desnível entre o início e o final do trecho é de 2,25 metros, temos que a pressão disponível no final do trecho será igual a 1,60 metros de coluna d’água

\[ P_f = P_i + \text{Desnível} – h_f \]
\[ P_f = 0 + 2,25 – 0,65 \]
\[ P_f = 1,60 \ \text{mca} \qquad \text{(Pres. Disp. em “f”)} \]

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Vídeo sobre o cálculo da perda de carga

Calculadora de tubulações hidráulicas

Veja no vídeo abaixo a apresentação da planilha para dimensionamento de tubulações hidráulicas

OBS.: Essa é a planilha mais simples e intuitiva que conheço para o dimensionamento de tubulações hidráulicas de água fria ou água quente. Ela calcula a vazão, velocidade, perda de carga, pressão estática e pressão dinâmica em cada trecho de tubulação. Além disso, gera automaticamente o memorial de cálculo e faz verificações exigidas pela NBR 5626

Saiba mais sobre a planilha Clicando Aqui

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