
Neste post irei falar sobre a ventilação das instalações de esgoto sanitário. Para isso, será utilizada como referência a NBR 8160 de 1999, que é a norma brasileira que orienta sobre o projeto e execução de sistemas prediais de esgoto sanitário
Função da ventilação
A ventilação das instalações de esgoto sanitário tem o objetivo de encaminhar convenientemente para a atmosfera os gases emanados dos efluentes, sem a menor possibilidade que esses gases entrem no ambiente interno da edificação
Ela também tem o objetivo de evitar o rompimento do fecho hídrico dos desconectores, que pode ocorrer por sucção ou compressão

Os desconectores são os dispositivos providos de fecho hídrico, destinados a vedar a passagem de gases no sentido oposto ao deslocamento do esgoto. A caixa sifonada, o sifão e o vaso sanitário são alguns exemplos de desconectores
Conforme dito anteriormente, a ruptura do fecho hídrico pode ocorrer por sucção ou compressão
Para exemplificar esse fenômeno, vamos utilizar o vaso sanitário como exemplo
Sabemos que na superfície do fecho hídrico em contato com o ambiente interno da edificação atua a pressão atmosférica, enquanto que na superfície do lado oposto atua a pressão exercida pelos gases presentes na tubulação

Quando a pressão no interior da tubulação se torna menor do que a pressão atmosférica, ocorre a sucção do fecho hídrico, o que possibilita a entrada de gases com mal cheiro dentro do ambiente
Quando a pressão no interior da tubulação se torna maior do que a pressão atmosférica, ocorre a compressão do fecho hídrico, o que provoca borbulhamento e pode empurrar parte do líquido para fora do aparelho sanitário, o que também provoca a ruptura do fecho hídrico e permite a entrada de gases com mal cheiro dentro do ambiente
Para evitar esse problema, é preciso igualar as pressões dos dois lados do fecho hídrico
Isso é feito por meio da tubulação de ventilação, que permite a saída dos gases e a entrada de ar no interior das tubulações de esgoto
Isso faz com que a pressão interna das tubulações se iguale à pressão atmosférica
Tipos de tubulações de ventilação
De acordo com a NBR 8160 de 1999, que é a norma brasileira que orienta sobre o projeto e execução de sistemas prediais de esgoto sanitário, o subsistema de ventilação pode ser previsto de duas formas: ventilação primária e secundária ou somente ventilação primária
Ventilação Primária
A tubulação de ventilação primária corresponde ao prolongamento do tubo de queda acima da cobertura do edifício, sendo sua extremidade superior aberta à atmosfera
Ventilação Secundária
A tubulação de ventilação secundária corresponde ao conjunto de tubos e conexões com a finalidade de promover a ventilação secundária do sistema predial de esgoto sanitário
OBS.: A coluna e o ramal de ventilação fazem parte da ventilação secundária

Caso o projetista de instalações opte por não utilizar a ventilação secundária, é necessário verificar a suficiência da ventilação primária através do modelo de cálculo apresentado no anexo C da NBR 8160 de 1999
Se for verificado que somente a ventilação primária não é suficiente, é necessário prover ventilação secundária ou alterar as características da instalação e verificar novamente (Itens 4.3.2 e 4.3.3 da NBR 8160 de 1999)
É importante ressaltar, entretanto, que o item 4.3.10 da NBR 8160 de 1999 deixa claro que a ventilação secundária não poderá ser dispensada quando o tubo de queda possuir desvios que formem um ângulo maior do que 45º com a vertical
Nesse caso, deve ser prevista ventilação de acordo com uma das alternativas indicadas na Figura 4 dessa norma

Em relação à extremidade aberta do tubo ventilador primário ou da coluna de ventilação, a Figura 3 da NBR 8160 de 1999 mostra que ela deve ser prolongada pelo menos 0,30 metros acima do telhado ou laje de cobertura, ou pelo menos 2,0 metros acima da laje de cobertura, caso ela seja utilizada para outros fins
Observe também que a extremidade aberta do tubo ventilador primário ou da coluna de ventilação deve ser provida de um terminal que impeça a entrada de água da chuva e pequenos animais

Agora irei apresentar para vocês algumas informações referentes ao ramal e coluna de ventilação
Ramal de ventilação
O ramal de ventilação é o tubo ventilador que interliga o desconector, ramal de descarga ou ramal de esgoto de um ou mais aparelhos sanitários a uma coluna de ventilação ou a um tubo ventilador primário
Coluna de ventilação
A coluna de ventilação é o tubo ventilador vertical que se prolonga através de um ou mais andares e cuja extremidade superior é aberta à atmosfera, ou ligada a tubo ventilador primário ou a barrilete de ventilação

Veja que a ligação do ramal com a coluna de ventilação deve ser feita por meio de uma junção a 45 graus
Além disso, essa ligação deve ser feita a uma distância de 15 cm ou mais, acima do nível de transbordamento do mais elevado dos aparelhos sanitários por ele ventilados
Isso é feito com o objetivo de impedir a entrada de efluentes na coluna de ventilação, caso ocorra algum entupimento na tubulação de esgoto
A NBR 8160 de 1999 também especifica que toda tubulação de ventilação deve ser instalada com aclive mínimo de 1%, de modo que qualquer líquido que porventura nela venha a ingressar possa escoar por gravidade para dentro do ramal de descarga ou ramal de esgoto em que o tubo ventilador está ligado
Também é importante atender a distância máxima de um desconector ao tubo ventilador
Os valores para essa distância máxima estão presentes na Tabela 1 da norma

Para exemplificar, veja na figura abaixo que a distância do vaso sanitário até o ramal de ventilação, representada pelo trecho de tubulação em vermelho, não deve ser maior do que 2,4 metros. Já o trecho de tubulação que vai da caixa sifonada até o ramal de ventilação, representado pelo trecho em verde, não deve ser maior do que 1,2 metros

Em relação a distância mínima, a NBR 8160 de 1999 especifica que a distância entre a saída do aparelho sanitário e a inserção do ramal de ventilação deve ser de no mínimo duas vezes o diâmetro do ramal de descarga
Tubo ventilador de circuito
De acordo com o item 4.3.19 da NBR 8160 de 1999, bacias sanitárias instaladas em bateria, devem ser ventiladas por um tubo ventilador de circuito ligando a coluna de ventilação ao ramal de esgoto na região entre a última e a penúltima bacia sanitária, conforme indicado na Figura 8 da norma

Ainda de acordo com o item 4.3.19 da NBR 8160 de 1999, deve ser previsto um tubo ventilador suplementar a cada grupo de no máximo oito bacias sanitárias, contadas a partir da mais próxima ao tubo de queda
Quando o ramal de esgoto servir a mais de três bacias sanitárias e houver aparelhos em andares superiores descarregando no tubo de queda, é necessária a instalação de tubo ventilador suplementar, ligando o tubo ventilador de circuito ao ramal de esgoto na região entre o tubo de queda e a primeira bacia sanitária (Item 4.3.21 da NBR 8160 de 1999)
Dimensionamento da ventilação
Para aprender como dimensionar ramal e coluna de ventilação assista ao vídeo abaixo:
Em breve escreverei um post dedicado exclusivamente a ensinar como é feito o dimensionamento do ramal e coluna de ventilação de acordo com a NBR 8160 de 1999. Para verificar se este post já está disponível, clique no texto abaixo e faça uma pesquisa no blog
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Vídeo sobre tubulações de ventilação
OBS.: Essa é a planilha mais simples e intuitiva que conheço para o dimensionamento de tubulações de esgoto. Ela calcula o diâmetro mínimo de ramais de descarga, ramais de esgoto, tubos de queda, subcoletor, coletor predial, ramal de ventilação e coluna de ventilação. Todos os cálculos são realizados de acordo com a NBR 8160 de 1999
Saiba mais sobre a planilha Clicando Aqui
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Escrito por: Pedro Henrique Lelis Brito
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