Neste post você irá aprender como é feito o ensaio de percolação do solo, também chamado de ensaio de infiltração. Ele tem o objetivo de estimar a capacidade de infiltração do solo, que é um parâmetro necessário para o dimensionamento do sumidouro e valas de infiltração

1º Etapa: Saturação do solo
O ensaio de percolação é composto de duas etapas, sendo a primeira delas o de escavação e saturação do solo
Os procedimentos para a realização desse ensaio estão descritos no Anexo N da NBR 17076 de 2024, que substituiu a antiga NBR 13969 de 1997
Embora a norma tenha mudado, os procedimentos continuam o mesmo e serão descritos a seguir
Inicialmente escavamos uma cava vertical com o trado de 150mm de diâmetro, retiramos os materiais soltos e cobrimos o fundo com cerca de 5cm de brita
Em seguida, enchemos a cava com água até a profundidade de 30cm do fundo e mantemos essa altura por cerca de 4 horas, completando com água a medida que o nível abaixa. Este período deve ser prolongado para 12 horas ou mais se o solo for argiloso
Caso toda a água inicialmente colocada infiltrar no solo dentro de 10 minutos, pode-se partir imediatamente para a segunda etapa
Para medir o nível d’água pode ser utilizado um dispositivo como o ilustrado na Figura B.20 da NBR 13969 de 1997 ou algo equivalente
Como alternativa, o nível d’água pode ser medido utilizando uma trena a laser em conjunto com uma boia. A função da boia é acompanhar a variação no nível d’água e servir de alvo para o laser
Outra alternativa é abrir um buraco grande o suficiente para permitir a entrada de uma pessoa e, em seguida, utilizar o trado de 150mm para fazer uma escavação menor até atingir a cota onde estará o fundo do sumidouro. Dessa maneira, a medição do nível d’água pode ser feita com uma trena convencional (Ver ilustração abaixo)

2º Etapa: Obtenção da taxa de percolação
Após a saturação do solo, partimos para a segunda etapa do ensaio de percolação, que corresponde ao ensaio propriamente dito
Nesta segunda etapa, devemos encher a cava até a profundidade de 15cm acima da brita. Em seguida, cronometrar 30 minutos e medir quantos centímetros o nível d’água desceu após esse tempo
Isso deve ser repetido até que se obtenha uma diferença de rebaixamento dos níveis entre duas medições sucessivas, inferior a 1,5cm, em pelo menos três medições
Feito isso, a taxa de percolação é obtida dividindo o intervalo de tempo de 30 minutos pelo desnível da última medição
Para fixar o que foi apresentado, veja o exemplo indicado na ilustração a seguir:

Observe que na primeira medição o nível d’água rebaixou 12cm, na segunda rebaixou 10cm, na terceira rebaixou 8,5cm e na quarta rebaixou 7,5cm
Veja que nas três últimas medições, a diferença de nível entre duas medições sucessivas foi de 1,5cm e 1,0cm, respectivamente. Portanto, o ensaio pode ser finalizado e obtemos a taxa de percolação de 400min/m (Divisão de 30min por 0,075m)
OBS.: Em solo arenoso, quando a água infiltra em menos de 30 minutos, o intervalo entre leituras deve ser reduzido para 10 minutos durante 1 hora e o valor de rebaixamento a ser utilizado é aquele da última leitura
Ensaio de percolação em solo estratificado
Até o momento foi visto como é feito o ensaio de percolação em um solo homogêneo, entretanto, o sumidouro é uma unidade de infiltração vertical que frequentemente atravessa mais de uma camada de solo com características distintas. Neste caso, a taxa de percolação deve ser determinada para cada uma das camadas

Em posse da taxa de percolação de cada uma das camadas, é obtida a taxa de percolação média (Kmédia) com a fórmula mostrada na ilustração acima
Lembrando que é necessário fazer o ensaio, apenas nas camadas abaixo da tubulação de entrada do sumidouro, pois são nelas que os efluentes vão de fato infiltrar
Taxa máxima de aplicação diária
Em posse da taxa de percolação, podemos consultar a Tabela N.1 da NBR 17076 de 2024, para obter a taxa máxima de aplicação diária, que é necessária para o dimensionamento do sumidouro

OBS.: Não confundir a taxa máxima de aplicação diária com a taxa de percolação
A taxa de percolação permite estimar a quantidade de minutos que a água/efluente demora para infiltrar 1 metro no solo, enquanto que a taxa máxima de aplicação diária representa o máximo volume diário de esgoto, em m³, que cada m² do solo pode absorver
Aprenda sobre o ensaio de percolação com o vídeo abaixo:
Embora o vídeo acima descreva o ensaio de acordo com a antiga NBR 13969 de 1997, não houve alterações em relação a nova norma (NBR 17076 de 2024)
Aprenda sobre sumidouro com o vídeo abaixo:
Planilha para dimensionamento de fossa, filtro e sumidouro:
Veja no vídeo abaixo a apresentação de uma planilha para dimensionamento de fossa séptica, filtro anaeróbio e sumidouro
OBS.: A planilha foi atualizada de acordo com a NBR 17076 de 2024, que substituiu as antigas NBR 7229 de 1993 e NBR 13969 de 1997
Saiba mais sobre a planilha Clicando Aqui
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Escrito por: Pedro Henrique Lelis Brito
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