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Planilhas Engenharia

Exercício - Dimensionamento das tubulações de um banheiro

Neste post iremos resolver um exercício no qual será dimensionada as tubulações de água fria de um banheiro e cujo enunciado pede o seguinte:

Ex.: Dimensione as tubulações de água fria do banheiro mostrado nas ilustrações abaixo. Para isso, considere que a velocidade da água não deve ultrapassar 2,5m/s e que as tubulações serão de PVC rígido soldável. Considere também que a pressão no ponto de utilização do chuveiro, lavatório e ducha higiênica deve ser de no mínimo 1mca e a pressão no ponto de utilização da bacia sanitária deve ser de no mínimo 0,5mca. Se para atingir a pressão mínima for necessário elevar o reservatório além da cota definida, informar no decorrer da resolução do exercício

Plantas de corte e isométrico das tubulações de um banheiro

Resolução:

1) Definir os trechos de tubulações

Os trechos são comumente definidos seguindo dois critérios: sempre que houver mudança de diâmetro ou sempre que houver mudança de vazão

Nesse exercício iremos dividir a instalação nos trechos mostrados abaixo:

Plantas com indicação dos trechos de tubulação do banheiro

A partir das cotas presentes no corte, podemos obter o comprimento e o desnível de cada um desses trechos

Isométrico do banheiro e tabela com o comprimento e desnível dos trechos de tubulação

Observe que, nos trechos em que o fluxo da água é descendente, o desnível tem sinal positivo; e, nos trechos em que o fluxo da água é ascendente, o desnível tem sinal negativo. Observe também que, nos trechos horizontais, o desnível é zero

Agora que já temos os trechos definidos, precisamos determinar a vazão em cada um deles

2) Determinar a vazão nos trechos

Para determinar a vazão nos trechos de tubulação, iremos utilizar o método dos pesos relativos, que está descrito na NBR 5626 de 1998

Esse método leva em consideração que, em instalações onde não se tem o uso intensivo da água, nem todos os aparelhos sanitários estarão sendo utilizados simultaneamente

Dessa forma, é atribuído a cada um deles um valor numérico chamado de peso relativo, que será utilizado para estimar um valor provável para a vazão nos trechos de tubulação

Ler post sobre o método dos pesos relativos

Na Tabela A.1 da NBR 5626 de 1998, podem ser consultados o peso relativo e a vazão de projeto para diferentes tipos de aparelhos sanitários

Tabela A.1 da NBR 5626 de 1998 com alguns aparelhos e seus respectivos pesos relativos destacados

Observe que os pesos relativos da bacia sanitária com caixa de descarga, da ducha higiênica, do chuveiro elétrico e do lavatório estão destacados na tabela

Esses são os pesos relativos dos trechos de tubulação ligados diretamente aos aparelhos sanitários

O peso relativo dos outros trechos é obtido somando o peso relativo dos aparelhos sanitários que recebem a água que passa pelo trecho em questão

Seguindo esse raciocínio, obtemos o peso relativo de cada trecho de tubulação

Soma dos pesos relativos para cada trecho de tubulação do banheiro

Em posse desses pesos, podemos estimar a vazão através da fórmula presente na NBR 5626 de 1998

Vazão em cada trecho de tubulação do banheiro

Podemos organizar em uma tabela os resultados obtidos até o momento:

Tabela com o peso relativo e a vazão em cada trecho de tubulação do banheiro

O próximo passo é definir o diâmetro das tubulações, pois a partir dele poderemos calcular a velocidade de escoamento e a perda de carga unitária

3) Definir o diâmetro das tubulações

Consultando a tabela abaixo, constatamos que os sub-ramais de todos os aparelhos sanitários do banheiro precisam ter um diâmetro de no mínimo 20mm, entretanto, iremos adotar o diâmetro de 25mm para garantir maior pressão nos pontos de utilização

OBS.: O sub-ramal é a tubulação ligada diretamente ao ponto de utilização

Tabela com o diâmetro mínimo dos sub-ramais

Veja que, na ilustração fornecida pelo enunciado do exercício, temos uma luva de redução nas proximidades do registro de gaveta

Isométrico do banheiro com seta indicando a luva de redução

O diâmetro que iremos adotar para os trechos de tubulação que vão do reservatório até a luva será o de 50 mm

Se necessário, podemos alterar esses diâmetros posteriormente

Consultando a tabela mostrada abaixo, constatamos que a espessura do tubo de PVC soldável com diâmetro externo de 25 mm é igual a 1,7 mm, e a do tubo de PVC soldável com diâmetro externo de 50 mm é igual a 3 mm

Tabela da tigre com espessura dos tubos de PVC

Portanto, o diâmetro interno dessas tubulações é de 21,6 mm e 44 mm, respectivamente

Diâmetro interno das tubulações de PVC soldável com diâmetro externo de 25mm e 50mm

4) Cálculo da velocidade

Demonstramos em outro post, que a velocidade de escoamento no interior da tubulação pode ser calculada com a fórmula abaixo:

\[ v = \frac{4000 \cdot Q}{\pi \cdot D_i^2} \]

Em que:

  • v = Velocidade de escoamento (m/s)
  • Q = Vazão (L/s)
  • Di = Diâmetro interno (mm)

Ler post sobre velocidade de escoamento

Fazendo os cálculos, constatamos que, em nenhum dos trechos da instalação, a velocidade excede o limite de 2,5 m/s estabelecido pelo enunciado do exercício, conforme mostra a tabela abaixo:

Tabela com as velocidades de escoamento nos trechos de tubulação do banheiro

5) Cálculo da perda de carga

Para calcular a perda de carga unitária, iremos utilizar a fórmula de Fair-Whipple-Hsiao para tubos lisos, presente na NBR 5626 de 1998

\[ J = 8,69 \cdot 10^6 \cdot Q^{1,75} \cdot D^{-4,75} \]

Em que:

  • J = Perda de carga unitária (kPa/m);
  • Q = Vazão (L/s);
  • D = Diâmetro interno da tubulação (mm);

OBS.: Para converter de kPa para mca (metros de coluna d´água), basta multiplicar o resultado por 0,10197

Inserindo na fórmula a vazão e o diâmetro interno de cada trecho, obtemos os resultados mostrados na Tabela abaixo:

Tabela com a perda de carga unitária nos trechos de tubulação do banheiro

Vamos agora obter o comprimento equivalente dos registros e conexões presentes em cada trecho

Por definição, o comprimento equivalente corresponde ao comprimento de um trecho reto de tubulação que provoca a mesma perda de carga do respectivo registro ou conexão

Você pode aprender mais sobre comprimento equivalente e perda de carga no post que escrevi exclusivamente sobre esse tema

Ler post sobre perda de carga

A partir do corte e do isométrico da instalação, podemos obter os registros e conexões que estão presentes em cada um dos trechos

Isométrico do banheiro com tabela de quantitativo de válvulas e conexões em cada trecho de tubulação

Consultando a tabela mostrada abaixo, podemos obter os comprimentos equivalentes de cada um desses registros e conexões

Tabela com o comprimento equivalente de válvulas e conexões
Tabela com o comprimento equivalente dos registros e conexões do banheiro

OBS.1: Foi adotado o comprimento equivalente de 7,3m para a luva de redução

OBS.2: O comprimento equivalente do registro de esfera é desprezível

OBS.3: O registro de pressão é do tipo globo

Com esses dados já temos o necessário para calcular a perda de carga total (hf) em cada trecho

Para isso, basta multiplicar a perda de carga unitária (J) pelo comprimento total (L), que é igual ao comprimento real do trecho de tubulação mais o comprimento equivalente

\[ h_f = J \cdot L \]

Na tabela abaixo foram organizadas as perdas de carga de cada trecho:

Tabela com a perda de carga unitária e total nos trechos de tubulação do banheiro

O próximo passo é realizar o cálculo da pressão estática e da pressão dinâmica

6) Cálculo das pressões

As pressões estática e dinâmica serão determinadas a jusante de cada trecho, ou seja, na extremidade de saída de cada trecho de tubulação

Ilustração de montante e jusante em uma tubulação

Pressão estática

Para obter a pressão estática em metros de coluna d’água, basta medir a diferença de nível entre a superfície d’água no reservatório e a extremidade de saída do trecho em que se quer saber a pressão

\[ P_f = \text{Desnível entre reserv e ponto f} \]

Nesse exercício iremos calcular a pressão considerando que o nível d’água no reservatório se encontra no mesmo nível da tubulação de saída, o que simula a situação mais desfavorável, que é a de um reservatório praticamente vazio

Pressão dinâmica

A pressão dinâmica é igual à pressão estática menos toda a perda de carga sofrida pela água ao percorrer o caminho do reservatório até o final do trecho em que queremos determinar a pressão

De forma equivalente, a pressão dinâmica pode ser obtida por meio da fórmula mostrada abaixo

\[ P_f = P_i + \text{Desnível}_{i-f} – \Delta H_{i-f} \]

Sendo Pf a pressão dinâmica no ponto “f”, Pi a pressão dinâmica no ponto “i” e ΔHi-f a perda de carga no trecho de tubulação “i-f”

Na tabela abaixo foram organizadas as pressões em cada trecho:

Tabela com a pressão estática e pressão dinâmica nos trechos de tubulação do banheiro

Podemos também organizar todos os resultados que obtivemos em uma tabela maior

Tabela com todos os resultados do dimensionamento dos trechos de tubulação do banheiro

Caso quiséssemos aumentar ainda mais a pressão nos pontos de utilização, poderíamos fazer as seguintes alterações no projeto:

  • Elevar o reservatório;
  • Aumentar o diâmetro das tubulações;
  • Substituir os joelhos por curvas de 90º;
  • Adicionar pressurizador

Caso queira aprender mais sobre o cálculo da pressão, recomendo a leitura de um post que escrevi exclusivamente sobre esse tema

Ler post sobre cálculo da pressão

7) Verificações

Observe que em todos os trechos a velocidade não ultrapassou o limite de 2,5m/s e a pressão dinâmica nos pontos de utilização é superior ao valor mínimo especificado pelo enunciado do exercício. Além disso, a pressão estática nos pontos de utilização não excede o limite de 40mca prescrito pela NBR 5626 de 2020. Portanto, todos os trechos estão OK

Vídeo com o exercício resolvido manualmente

Vídeo com o exercício resolvido na calculadora

Vídeo com soluções para aumentar a pressão do chuveiro

Calculadora de tubulações hidráulicas

Veja no vídeo abaixo a apresentação da planilha para dimensionamento de tubulações hidráulicas

OBS.: Essa é a planilha mais simples e intuitiva que conheço para o dimensionamento de tubulações hidráulicas de água fria ou água quente. Ela calcula a vazão, velocidade, perda de carga, pressão estática e pressão dinâmica em cada trecho de tubulação. Além disso, gera automaticamente o memorial de cálculo e faz verificações exigidas pela NBR 5626

Saiba mais sobre a planilha Clicando Aqui

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Escrito por: Pedro Henrique Lelis Brito

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