Pular para o conteúdo principal

Planilhas Engenharia

Neste post irei apresentar algumas das prescrições normativas da NBR 10844 de 1989, que trata das instalações prediais de águas pluviais

Para fins didáticos e de organização, o post será divido em 4 partes: fatores meteorológicos; prescrições sobre calhas; prescrições sobre condutores verticais e prescrições sobre condutores horizontais

Fatores meteorológicos

O primeiro tópico que iremos abordar se refere aos fatores meteorológicos

De acordo com o item 5.1.1 da NBR 10844 de 1989, “a determinação da intensidade pluviométrica “I”, para fins de projeto, deve ser feita a partir da fixação de valores adequados para a duração de precipitação e o período de retorno. Tomam-se como base dados pluviométricos locais”

Na Tabela 5 da norma estão presentes valores de referência para a intensidade pluviométrica de várias cidades brasileiras, com duração de 5 minutos e período de retorno de 1, 5 e 25 anos

Tabela 5 da NBR 10844 de 1989

E o que seria o período de retorno?

O período de retorno, também conhecido como tempo de recorrência, corresponde ao número médio de anos para que determinada intensidade pluviométrica seja igualada ou ultrapassada apenas uma vez, considerando chuvas com mesma duração

Para exemplificar, veja na Tabela 5 da norma, que para a cidade de Alegrete no Rio Grande do Sul, a intensidade pluviométrica para o período de retorno de 5 anos é 238mm/h. Isso significa que uma chuva com essa intensidade ou superior ocorre, em média, apenas 1 vez a cada 5 anos

E qual período de retorno devo considerar para o dimensionamento das instalações de captação e drenagem das águas pluviais?

De acordo com o item 5.1.2 da NBR 10844 de 1989, “o período de retorno deve ser fixado segundo as características da área a ser drenada, obedecendo ao estabelecido a seguir”:

T = 1 ano para áreas pavimentadas, onde empoçamentos possam ser tolerados

T = 5 anos para coberturas e/ou terraços

T = 25 anos para coberturas e áreas onde empoçamento ou extravasamento não possa ser tolerado

Em relação a duração da precipitação, o item 5.1.3 da NBR 10844 de 1989 diz que ela deve ser fixada em 5 minutos

Vamos ver agora as prescrições referentes às calhas

Prescrições sobre calhas

1) “As calhas de beiral ou platibanda devem, sempre que possível, ser fixadas centralmente sob a extremidade da cobertura e o mais próximo desta” (Item 5.5.1 da NBR 10844 de 1989)

Calha de platibanda (NBR 10844 de 1989)

2) “A inclinação das calhas de beiral e platibanda deve ser uniforme, com valor mínimo de 0,5%” (Item 5.5.2 da NBR 10844 de 1989)

Inclinação da calha (NBR 10844 de 1989)

3) “As calhas de água-furtada têm inclinação de acordo com o projeto da cobertura” (Item 5.5.3 da NBR 10844 de 1989)

Calha de água furtada (NBR 10844 de 1989)

4) “Quando a saída não estiver colocada em uma das extremidades, a vazão de projeto para o dimensionamento das calhas de beiral ou platibanda deve ser aquela correspondente à maior das áreas de contribuição” (Item 5.5.4 da NBR 10844 de 1989)

Calha com tubo de queda fora das extremidades (NBR 10844 de 1989)

OBS.: A calha da ilustração acima possui dimensões constantes ao longo de toda sua extensão e o condutor vertical (“tubo de queda”) está a uma certa distância das extremidades. Neste caso, a norma diz que a calha deve ser dimensionada considerando a vazão de chuva da maior área de contribuição (A2 > A1)

5) “Quando não se pode tolerar nenhum transbordamento ao longo da calha, extravasores podem ser previstos como medida adicional de segurança. Nestes casos, eles devem descarregar em locais adequados” (Item 5.5.5 da NBR 10844 de 1989)

Calha com extravasor (NBR 10844 de 1989)

6) “Em calhas de beiral ou platibanda, quando a saída estiver a menos de 4m de uma mudança de direção, a vazão de projeto deve ser multiplicada pelos coeficientes da Tabela 1” (Item 5.5.6 da NBR 10844 de 1989)

Calha com mudança de direção 2 (NBR 10844 de 1989)

7) “O dimensionamento das calhas deve ser feito através da fórmula de Manning-Strickler, indicada a seguir, ou de qualquer outra fórmula equivalente” (Item 5.5.7 da NBR 10844 de 1989)

Fórmula de Manning-Strickler 2 (NBR 10844 de 1989)

OBS.: O coeficiente de rugosidade “n” presente na fórmula depende do tipo de material de que é feito a calha e pode ser obtido na Tabela 2 da NBR 10844 de 1989 ou em livros de hidráulica

Tabela 2 da NBR 10844 de 1989

Clique Aqui e aprenda como dimensionar calhas

Prescrições sobre condutores verticais

1) “Os condutores verticais devem ser projetados, sempre que possível, em uma só prumada. Quando houver necessidade de desvio, devem ser usadas curvas de 90° de raio longo ou curvas de 45° e devem ser previstas peças de inspeção” (Item 5.6.1 da NBR 10844 de 1989)

Opções de instalação de condutores verticais (NBR 10844 de 1989)

2) “Os condutores verticais podem ser colocados externa ou internamente ao edifício, dependendo de considerações de projeto, do uso e da ocupação do edifício e do material dos condutores” (Item 5.6.2 da NBR 10844 de 1989)

Galpão com condutores verticais posicionados internamente (NBR 10844 de 1989)

3) “O diâmetro interno mínimo dos condutores verticais de seção circular é 70mm” (Item 5.6.3 da NBR 10844 de 1989)

Diâmetro interno mínimo de condutores verticais (NBR 10844 de 1989)

Clique Aqui e aprenda como dimensionar condutores verticais

Prescrições sobre condutores horizontais

1) “Os condutores horizontais devem ser projetados, sempre que possível, com declividade uniforme, com valor mínimo de 0,5%” (Item 5.7.1 da NBR 10844 de 1989)

Inclinação do condutor horizontal (NBR 10844 de 1989)

2) “O dimensionamento dos condutores horizontais de seção circular deve ser feito para escoamento com lâmina de altura igual a 2/3 do diâmetro interno (D) do tubo” (Item 5.7.2 da NBR 10844 de 1989)

Altura da lâmina dágua no condutor horizontal (NBR 10844 de 1989)

3) “Nas tubulações aparentes, devem ser previstas inspeções sempre que houver conexões com outra tubulação, mudança de declividade, mudança de direção e ainda a cada trecho de 20m nos percursos retilíneos” (Item 5.7.3 da NBR 10844 de 1989)

Caixas de inspeção do condutor horizontal (NBR 10844 de 1989)

4) “Nas tubulações enterradas, devem ser previstas caixas de areia sempre que houver conexões com outra tubulação, mudança de declividade, mudança de direção e ainda a cada trecho de 20m nos percursos retilíneos” (Item 5.7.4 da NBR 10844 de 1989)

Caixas de inspeção do condutor horizontal (NBR 10844 de 1989)

5) “A ligação entre condutores verticais e horizontais é sempre feita por curva de raio longo, com inspeção ou caixa de areia, estando o condutor horizontal aparente ou enterrado” (Item 5.7.5 da NBR 10844 de 1989)

Ligação entre condutor vertical e condutor horizontal (NBR 10844 de 1989)

Clique Aqui e aprenda como dimensionar condutores horizontais

Consideração final

De acordo com o item 4.2.2 da NBR 10844 de 1989, “as águas pluviais não devem ser lançadas em redes de esgoto usadas apenas para águas residuárias”

E de acordo com o item 4.2.3 da NBR 10844 de 1989, “a instalação predial de águas pluviais se destina exclusivamente ao recolhimento e condução das águas pluviais, não se admitindo quaisquer interligações com outras instalações prediais”

Não direcionar água da chuva para fossa, filtro ou sumidouro (NBR 10844 de 1989)

Vídeo com as prescrições da NBR 10844 de 1989:

Planilha para dimensionamento de calha e condutores:

Veja no vídeo abaixo a apresentação de uma planilha para dimensionamento de calhas, condutores verticais e condutores horizontais

OBS.: Com essa planilha é possível dimensionar toda a instalação de águas pluviais de casas, galpões e edifícios em geral

Saiba mais sobre a planilha Clicando Aqui

Veja todos os posts do blog clicando na tag “Blog” presente no rodapé da página

Conheça nosso canal no YouTube e se inscreva para não perder os conteúdos que postamos por lá

Guia de Instalações Hidrossanitárias

Aprenda instalações de uma maneira simples e prática com este guia rico em ilustrações

ADQUIRIR UMA CÓPIA DO GUIA

Escrito por: Pedro Henrique Lelis Brito

Compartilhe esse post

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *